3.08.2007

Vazio Urbano



Na generalidade, o processo de esvaziar é mais interessante que o procurar estratégias de ocupação dos vazios urbanos. A riqueza do acto em si e a manifestação do vazio acarreta multiplicidades imensas e fomenta a reacção e o reposicionamento do quotidiano na cidade imaginada. Estes «não-monumentos» reformulam subitamente as leis do presente e exigem rapidamente um novo discurso espacial e temporal.


Imagem em http://www.ordena.com/digg/sinkhole.html

Após a perturbação, a permanência destes vazios adquirem uma presença vaga que aglomera o múltiplo. São espaços em dobra, indefinidos, que estão sujeitos a serem apreendidos, ocupados, e usurpados por todos. É talvez o território mais livre e simultaneamente mais político.


Imagem em http://www.ordena.com/digg/sinkhole.html

Em Fevereiro um buraco com 100m de profundidade surgiu num bairro residencial em Guatemala engolindo uma dúzia de casas e forçando a evacuação de cerca de mil moradores. A declaração oficial dita que as chuvas torrenciais aliadas a uma ruptura de um ramal do sistema de escoamento de águas pluviais foram a causa do surgimento do poço. Quem se aproximou do poço testemunhou a presença de estranhos odores, ruídos e tremores de terra e ouve-se um marejar contínuo de um ribeiro subterrâneo.

2 Comentários:

Anonymous josé kuski disse...

A arquitectura escavada na rocha, é a verdadeira arquitectura. A fuciona como molde que não molda, ou ainda como eter sólido. o escavante, verdadeiro inventor de espaços, decide a forma que que quer habitar.Na maioria dos casos não damos valor aos buracos e à boa maneira destes tempos controlados pela imagem vendemos a ideia de sermos cubistas modernos identificados por uma qualquer torneira de marca. Demasiado epidérmico para cheirar.

8/3/07 20:04  
Blogger Marta disse...

gosto do josé kuski!

3/5/07 17:14  

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