4.04.2007

peter_sloterdijk


As passagens, para Walter Benjamin, eram o lugar onde a modernidade, na sua forma essencial, foi concebida. Porque a forma do mundo moderno não é a imensidade do mundo. é, pelo contrário, o espaço interior para onde se transporta o mundo. Na medida em que as estruturas dos paraísos artificiais aumentam, a política torna-se nada mais do que a arte de climatizar o «palácio de cristal». Percebemos, assim, a relação entre essa concepção lírica do espaço, em Rilke, e o espaço benjaminiano, isto é: o interior em busca da sua própria totalização e a abolição do exterior. Este é o sonho mais profundo da arquitectura do capitalismo, como se pode ver nos centros comerciais. No japão, integrou-se mesmo pistas de ski em salas enormes e construíram-se praias atlânticas sob uma enorme cúpula. A lógica da abolição do exterior é inerente ao capitalismo, na medida em que o capitalismo compreendeu que não busca a aventura mas a segurança. O exterior não lhe interessa e deixa-o àqueles que são suficientemente pobres e miseráveis. O exterior é para os africanos, para muitos latino-americanos, para os jovens que fazem um arrastão para pilhar os turistas nas praias de Portugal.

Peter Sloterdijk entrevistado por António Guerreiro para o suplemento Actual do Expresso de 24 de Março
http://www.petersloterdijk.net/

1 Comentários:

Blogger kare sansui disse...

Sloterdijk vai estar a 3 de maio em serralves, no ciclo "crítica do contemporãneo". a não perder...

10/4/07 16:35  

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